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Introdução e Objetivos

Ruas do Centro amanhecem pichadas em protesto. Moradores bloqueiam rodovia obrigando motoristas a ver precariedade em bairros de Colombo. Classe média de Curitiba faz da Praça Espanha seu lugar de protesto. Frequentadores de bar fazem manifestação a favor da Quadra Cultural. Famílias dormem na rua em protesto contra Cohab. Contorno Leste é liberado após 1h30 de interdição por protesto. Protesto em frente à Cohab reivindica desapropriação de terreno no Sabará. Manifestação em Curitiba reúne cerca de dez mil pessoas. Não fossem os nomes de bairros, praças, ruas, eventos ou cidades que particularizam essas manchetes, seus textos e as imagens a que remetem seriam universais.

As ações de protesto são fenômenos recorrentes em quase todas as cidades brasileiras e no mundo. No entanto, essas ações requerem tempo e mobilização.  O que motiva determinados grupos sociais a protestarem? O que reivindicam? Essas mobilizações indicam avanço na democracia e nos processos participativos?  Existe alguma articulação dos coletivos em redes de mobilização ou as manifestações são espontâneas? Qual a relação dos protestos com as políticas públicas da cidade?

Essas são algumas questões que temos interesse em responder com as pesquisas. Estudamos os protestos e conflitos na Região Metropolitana de Curitiba entendendo que esses são chaves de leitura para a interpretação das sociedades e da ação do Estado num determinado território.

OBJETIVOS

O projeto de pesquisa “Observatório de Conflitos Urbanos de Curitiba” tem como objetivo registrar, sistematizar, classificar e prover informações sobre lutas urbanas, movimentos sociais e as múltiplas e diversas manifestações da conflitualidade da cidade, através de uma base de dados georreferenciada on-line – se inscreve em um esforço de aprofundar a compreensão sobre as condições materiais e os processos políticos que incitam conflitos urbanos.

Os conflitos urbanos, objeto de análise, são definidos como confrontos ou litígios, manifestos ou não, relativos às condições de vida urbana, que incidam sobre a produção ou consumo da cidade, opondo pelo menos dois agentes sociais e os protestos urbanos são suas manifestações empíricas. O georreferenciamento dos protestos permite sobrepor informações sobre as condições urbanas nas quais os conflitos emergem, como acesso aos serviços e infraestruturas públicas, por exemplo.